Paulo Sousa, sindicalista

A Rádio Cidade FM, emissora comunitária de Santo Amaro, em Sergipe, regulamentada por Lei Federal e homologada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), foi alvo de um atentado à liberdade de imprensa, quando teve sua programação suspensa por ordem do prefeito da cidade, Paulo César, que trocou os cadeados e cortou a energia do prédio, numa demonstração de perseguição política pelo fato de a rádio abrir espaço para que a comunidade exerça seu direito à liberdade de expressão, fazendo suas reivindicações e cobrando do poder público ações de melhorias, principalmente nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Por este ato ditador e autoritário contra o exercício da comunicação social no município da região do Vale do Cotinguiba, a emissora de rádio recebeu várias manifestações de solidariedade da comunidade local, políticos estaduais e nacionais, e entidades de representação das áreas do Jornalismo, Radialismo e Comunicação em geral, entre elas, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Sergipe (SINDIJOR-SE), Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Associação Brasileira de Rádios Comunitárias, nacional e estadual, Central Única dos Trabalhadores em Sergipe (CUT-SE), além de outras entidades sindicais e comunitárias, mas a entidade que se diz representante dos radialistas – o Sindicato dos Trabalhadores em Rádio e Televisão no Estado de Sergipe (Sterts) -, teve um comportamento, no mínimo estranho.

Enquanto as demais entidades do campo da comunicação repudiaram a atitude do prefeito, que teve a conivência do Governo do Estado, que tomou o prédio cedido à Associação Sergipana de Comunicação e Cultura, detentora da concessão pública da Rádio Cidade FM 105.9, para doar à Prefeitura de Santo Amaro, por conveniência política, já que o prefeito apoiou a candidatura do eleito governador Fábio Mitidieri, o Sindicato dos Radialistas mesmo sabendo da agressão contra a rádio comunitária e seus comunicadores, já que radialistas foram impedidos de entrar no prédio para exercerem suas atividades, não escreveu um parágrafo em defesa da emissora comunitária, mas principalmente dos seus comunicadores.

A atitude da atual direção do Sterts, principalmente da presidência da entidade sindical, demonstra fragilidade na defesa da categoria e, acima de tudo, alinhamento ao sistema político em detrimento aos radialistas, que sofrem diariamente com algum tipo de desrespeito e ataque às suas prerrogativas profissionais. A decisão do Sindicato dos Radialistas em ignorar os ataques à emissora de rádio e seus comunicadores, revela que esta entidade sindical não tem nenhum apreço, respeito e consideração pela comunicação comunitária.

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Entre estar ao lado dos comunicadores comunitários e os governos estadual e municipal, o sindicato preferiu ficar do lado do poder e dos agressores à liberdade de imprensa. Ou seja, se comportou como um sindicato omisso, pelego.

Vale ressaltar que o atual presidente do Sterts fez campanha aberta nas últimas eleições para o então candidato a governador Fábio Mitidieri, inclusive subindo em carro de som para pedir votos para o candidato, quando a ética profissional exige dos seus representantes sindicais um comportamento distante de palanque político. Por coincidência ou não, o presidente do Sterts é um dos favorecidos com cargo comissionado no agrupamento do governador. Será que este sindicalista tem moral ética para defender os verdadeiros interesses dos radialistas junto ao Governo do Estado? Eis a questão.

Sendo assim, a Associação Sergipana de Comunicação e Cultura (ASC), reconhecida por Lei Estadual como entidade de utilidade pública, defensora da comunicação social, dos direitos sociais, culturais e comunitários, do estado democrático de direito, bem como das liberdades de imprensa e expressão, do Jornalismo e do Radialismo, e dos comunicadores populares, vem a público agradecer as verdadeiras entidades representativas do campo da comunicação social, em Sergipe e no Brasil, por suas corajosas manifestações de solidariedade à Rádio Cidade FM, e a defesa da liberdade de imprensa, numa clara demonstração de independência, e repudiar, veementemente, a ignorância, a covardia, e o atrelamento do Sindicato dos Radialistas ao sistema de governo em Sergipe.

“A liberdade de expressão pertence ao povo, não aos donos do poder”.

Associação Sergipana de Comunicação e Cultura